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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sexto sentido

Reconhecer o génio é um talento. Vale a pena ver. Eu não me arrependi!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

windoze

Fui buscar um computador dos meus tios, após uma reparação. O disco rígido tinha sido formatado e o windoze instalado de raiz como consequência da intervenção. Resolvi fazer as actualizações de sistema.

Primeiro impacto: para ligar o computador à rede sem fios tive que introduzir a chave da rede duas vezes. Uma, mais a confirmação. A minha chave de segurança são 26 caracteres aleatórios. Noutro sistema operativo, se me enganar à primeira repito a chave com mais atenção e pronto. Mas assim é mais democrático: quer me engane quer não me engane, digito os 26 caracteres duas vezes.

Como não utilizo o windoze há muitos anos recorri à ajuda do sistema para encontrar o windoze update. A aplicaçãozinha de ajuda "crachou" duas vezes! Tive que fazer o ctrl-alt-del para matar o programinha que "não estava a responder", operação e léxico familiares do tempo em que usava o windoze!

Como é possível que numa instalação limpa do windoze (ainda sem rigorosamente mais nada instalado) "gele" um componente do próprio sistema operativo?

Lá consegui fazer as actualizações, não sem antes ter que registar um .dll manualmente. Entre cada grupo de actualizações, o windoze lá me informava que era preciso "reiniciar o sistema", ecoando em seguida aquele som caracteristico do windoze a arrancar, tal sino da igreja de quarto em quarto de hora.

Quanto mais conheço o windoze mais gosto de máquinas de escrever e ábacos...

Quero terminar com uma palavra de esperança: há vida para além disto, o Linux é de graça! Pode-se descarregar gratuitamente ou até receber um CD em sua casa, que não paga nem os portes de correio!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Magalhães dado

"It is a miracle that curiosity survives formal education”, Albert Einstein

O governo distribui os primeiros PC Magalhães pelas escolas. Alguns comentários sobre o assunto, no âmbito das minhas costelas geek e cyber-punk.

1. É bom que os seres humanos jovens tenham acesso a computadores. Sejam quais forem, é sempre preferível terem do que não terem.

2. O Magalhães é um computador português na medida em que é produzido em Portugal por uma empresa portuguesa. Trata-se no entanto do Classmate PC da Intel, um modelo criado para as crianças de países em vias de desenvolvimento que a Intel procura produzir nos mercados de destino para estimular as economias locais. Assim, tem a designação Anoa (na Indonésia), Mileap-X series (Índia), Mobo kids (Brasil) ou Magalhães. Isto não tem nada de mal. É só que quando vejo as notícias nacionais, nem sempre me fica inteiramente claro.

3. Vale a pena falar [Até porque é mais fotogénico!] no concorrente do Classmate PC, que se chama XO e foi desenvolvido pela organização sem fins lucrativos One Laptop Per Child (OLPC), fundada por Nicholas Negroponte, antigo director do Media Lab do MIT.


A OLPC pretende produzir computadores portáteis por menos de 100 dólares, acessíveis a crianças de regiões pobres do mundo. O XO é bastante inovador, a começar pelas suas insólitas antenas que funcionam substancialmente melhor do que uma antena wireless normal e que propositadamente têm uma aparência lúdica. O interface, especificamente concebido, é construído em software livre e de código aberto. E parte da premissa educacional disruptiva que as crianças vão aprender a usá-lo por si e ensinar-se umas às outras.

A primeira versão do XO teve processadores AMD. Em paralelo, a Intel desenvolvia o seu próprio PC de baixo custo. Mais tarde a Intel juntou-se ao OLPC tendo em vista a produção de uma segunda versão do XO com processadores Intel. O casamento entre a empresa e organização sem fins lucrativos não correu bem e o divórcio não foi bonito. A OLPC acusou a Intel de nunca ter estado realmente naquele casamento, que não contribuía com ideias e que minava o XO com o Classmate, vendendo-o abaixo do custo de produção. A Intel argumentou que a OLPC fez a exigência absurda que a Intel abandonasse o Classmate.

4. Nalguns casos o Classmate PC vem numa versão Linux. No entanto, o Magalhães em Portugal é distribuído com o Microsoft Windows. Na minha opinião seria preferível apresentar aos alunos uma perspectiva de partilha de conhecimento com software livre (livre, como em liberdade) e de código aberto. O Linux (software livre) é como ter um jogo que podemos desmontar, ver como é por dentro e até modificar. O Windows é uma caixa bem fechada, opaca e protegida contra a intrusão. Não é que cada criança vá modificar os programas e ferramentas que utiliza. Mas para quê pôr-lhes um tecto?

PS - Afinal o Magalhães vem com o Linux Caixa Mágica e o Windows XP em dual boot. Ou seja, é possível escolher no momento do arranque qual dos sistemas operativos se quer utilizar. Que dizer? Concordo! Ainda não consegui perceber (e gostava!) que género de acordo foi estabelecido com a Microsoft para o Magalhães.