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domingo, 14 de junho de 2009

Por entre os dedos

In my hunt for the secret of life, I started my research in histology. Unsatisfied by the information that cellular morphology could give me about life, I turned to physiology. Finding physiology too complex, I took up pharmacology. Still finding the situation too complicated, I turned to bacteriology. But the bacteria were even more complex, so I descended to the molecular level, studying chemistry and physical chemistry. After twenty years' work, I was led to conclude that to understand life we have to descend to the electronic level and the world of wave mechanics. But electrons are just electrons and have no life at all. Evidently,on the way I lost life; it had run out between my fingers.

Albert Szent-Gyorgyi (1893 - 1986)
Personal Reminiscences

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Obrigado alforreca!


O prémio Nobel da Química deste ano foi para os cientistas que descobriram a proteína de fluorescência verde (GFP, na gíria de laboratório, de Green Florescence Protein) e o seu potencial como ferramenta de estudo bioquímico .

Desde os anos 50 que é conhecida uma alforreca (chamada Aequorea victoria) que emite luz verde. Isto acontece por causa de um fenómeno chamado bioluminescência (a energia libertada por reacções químicas é usada para emitir um fotão verde).

Descobriu-se (não à primeira!) que a origem da luz verde era a tal proteína, a GFP. A GFP também não emite verde assim sem mais nem menos. Há uma outra proteína, a aequorin, que emite uma luz azul quando é excitada quimicamente. Esse azul da aequorin vai estimular a GFP, que emite verde.

A fluorescência verde é por causa de uma sequência muito específica de três aminoácidos (serina - tirosina - glicina) dos 238 que constituem a GFP. Uma proteína é como se fosse uma serpentina construída com peças de 20 tipos (os aminoácidos).

A GFP é uma coisa porreira. Podemos colar a GFP a qualquer outra proteína que nos interesse (e isso fazemos com biologia molecular trivial) e ver onde ela está simplesmente acendendo uma lâmpada ultra-violeta. Mesmo dentro das células. Podemos saber onde estão proteínas que nos interessam, porque elas ficam verdes. Porque estão agarradas à GFP. Isto tem interesse para seguir o desenvolvimento de células nervosas ou o alastrar de células cancerosas, por exemplo.

Assim, a luz verde das alforrecas ilumina alguns caminhos das bio-ciências!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Hotel Baikonur

Na minha pele de cientista, uma das coisas que faço são cristais de proteínas. Simplesmente isso, pego nas proteínas, alinho as moléculas todas da mesma maneira, de modo a que se disponham de um modo ordenado, numa espécie de parede de azulejos em três dimensões.

Na verdade não é assim tão simples, implica utilizar um robot para experimentar centenas de maneiras de cristalizar a proteína, porque as proteínas, tal como as outras coisas, têm mais modos de existir num estado desordenado do que arrumadinho.

Houve quem se tivesse lembrado, que talvez as moléculas de proteína tivessem mais facilidade em organizar-se se não sentissem o próprio peso. E começaram a enviar proteínas para o espaço.

O Paco enviou-me algumas imagens da missão Andrómeda. Ele enviou proteínas até Baikonur, no Cazaquistão (de onde foi lançada a missão que levou Yuri Gagarini para o primeiro voo orbital). Foram à boleia na Soyuz, cristalizaram, estiveram 72 dias onde não há peso e trazidas de volta.

Laboratório improvisado num quarto de hotel em Baikonur

Cristais crescidos no espaço

(Obrigado ao Paco pelas imagens!)